Desinfetantes são associados ao Ganho de Peso em Bebês e Crianças

Um artigo interessante para analisarmos e nos preocuparmos. Apesar de que a pesquisa não é conclusiva podemos chegar à seguinte conclusão: USAR EM NOSSAS CASAS SOMENTE PRODUTOS DE LIMPEZA ECOLÓGICOS.

Tradução feita por Ana Paula Paixão Martins, com adaptações. 

O uso de  desinfetantes em casa pode aumentar o risco de um bebê ficar obeso ou com excesso de peso mais tarde, de acordo com um novo estudo. O risco parece aumentar dependendo com que frequência os desinfetantes são usados, mas mesmo o uso uma vez por semana estaria ligado à probabilidade de uma criança estar acima do peso ou ser obesa.

Uma equipe de 15 pesquisadores coletou dados de 757 mães e bebês inscritos no estudo Canadian Healthy Infantil Longitudinal Development, ou CHILD. Suas descobertas foram publicadas este mês no CMAJ, um jornal da Canadian Medical Association.

Quando as crianças tinham entre 3 e 4 meses de idade, os pesquisadores usaram questionários e fizeram visitas domiciliares para avaliar o tipo e a frequência do uso dos desinfetantes ​​nas casas. Eles compararam os micróbios achados nelas com as espécies e a quantidade de micróbios que colonizam o trato gastrointestinal dos bebês. Os pesquisadores também mediram o índice de massa corporal (IMC) das crianças quando elas tinham um ano de idade e novamente aos 3 anos de idade.

Maior exposição a desinfetantes foi associada a um maior índice de massa corporal em crianças e alterações foram encontradas nos micróbios em seus estômagos e intestinos. Essas alterações bacterianas se correlacionaram com a frequência do uso de desinfetantes. Como o uso de desinfetantes aumentou, também aumentou a abundância de Lachnospiraceae, uma bactéria ligada à maior gordura corporal e resistência à insulina em animais de laboratório e humanos.

Bebês, no estudo com níveis mais altos dessa bactéria, também eram mais propensos a ter sobrepeso ou obesidade quando crianças pequenas. Uma espécie de bactéria associada à função imune, o Clostridium, também diminuiu no microbioma intestinal de crianças expostas ao aumento do uso de desinfetantes.

“Estes resultados sugerem que a microbiota intestinal foi a culpada na associação entre o uso de desinfetantes e o excesso de peso”, disse a autora sênior Anita Kozyrskj à CNN. Embora mais pesquisas precisem ser conduzidas, alguns estudos indicam que os metabólitos produzidos pela microbiota intestinal podem influenciar o metabolismo e o controle do apetite.

Crianças em domicílios que relatam uso mais frequente de produtos “ecologicamente corretos” eram menos propensas a ter excesso de peso ou obesidade. Mas os pesquisadores disseram que esse resultado não parece estar ligado a mudanças nas bactérias do intestino.

Os produtos desinfetantes mais relatados no estudo foram limpadores multi-superfícies e limpadores de vaso sanitário. Mas os ingredientes específicos em cada um dos produtos não foram anotados ou medidos. Os pesquisadores também não controlaram adequadamente as diferenças alimentares entre os domicílios.

Mais estudos são necessários. Mas este acrescenta a obesidade a uma lista crescente de efeitos adversos à saúde associados à exposição a desinfetantes.

Desinfetantes como glutaraldeído, hipoclorito de sódio e compostos de amônia quaternária, ou quats, têm sido associados a doenças respiratórias, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica. Os quats também têm sido associados à redução da fertilidade e defeitos congênitos em roedores.

Desinfetantes não são os únicos produtos químicos preocupantes em produtos de limpeza. Use o Guia do EWG para limpeza saudável para encontrar produtos de limpeza mais saudáveis ​​que divulguem completamente seus ingredientes e sejam fabricados sem produtos químicos prejudiciais.

Artigo original em EWG NEWS AND ANALYSIS

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